FONOAUDIOLOGIA HOSPITALAR

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sábado, 27 de novembro de 2010

Deglutição Atípica



Deglutição é um ato neuromuscular de grande complexidade que se inicia na vida fetal (oitava semana de gestação). É uma ação automática comandada pelo tronco cerebral.
O objetivo da deglutição é de transportar o bolo alimentar (saliva, líquidos e alimentos) para o estômago e realizar a limpeza do trato respiratório.
A deglutição acontece de duas formas diferentes, antes e após o aparecimento dos dentes, podendo assim ser observada como Deglutição Infantil Normal e Deglutição Madura Normal.

Deglutição Infantil Normal
Para acontecer a deglutição no recém-nascido ele deve impulsionar a língua para frente para criar um vedamento e conseguir realizar a pressão necessária para deglutir. Assim, na deglutição normal infantil a língua estará empurrando os rebordos das gengivas e os lábios.

Deglutição atípica
É uma forma inadequada da língua e outros músculos que participam do ato de deglutir, durante a fase oral, realizar essa função. É uma alteração na função de engolir propriamente dita.

Em geral, a forma atípica de deglutir, acontece por problemas com os músculos envolvidos na execução dessa função, alteração do tônus, mobilidade e postura.

Uma das características observadas claramente na descrição do padrão da deglutição atípica, é o pressionamento da língua nos dentes incisivos centrais e laterais ( os dentes da frente) ocasionando muitas vezes alterações dos mesmos, levando ao aparecimento de diastemas (espaços entre os dentes), projeção dos dentes incisivos e mordida aberta.

O fato dos músculos não estarem com seu tônus adequado, acarreta dificuldade para vedamento labial, facilitando o desenvolvimento do hábito da respiração bucal.

Ainda um outro fator a ser observado nos problemas da deglutição atípica, é que com a alteração do tônus muscular da língua, pode aparecer associado desvios na articulação dos fonemas /t/ /d/ /n/ /l/, pois esses fonemas tem seu ponto de articulação no mesmo lugar onde a língua pressiona no ato da deglutição. Pelo mesmo problema de tônus os fonemas /s/ e /z/ podem apresentar escape da língua nos dentes incisivos centrais.

Tratamento da deglutição atípica
Normalmente, ao deparamos com as alterações da deglutição atípica, na maioria das vezes as mesmas já estão associadas a alterações conjuntas da forma das arcadas dentárias, assim o trabalho de reeducação da função normalmente é realizado em paralelo com o trabalho de um ortodontista, realizando a correção ortodontica juntamente com a terapia fonoaudiológica.

Simone Aparecida Amirato ChiquitoFonoaudiologa

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Avaliação da Deglutição pelo Videodeglutograma




O videodeglutograma é considerado o exame gold standard para a avaliação das disfagias, pois fornece um imagem dinâmica de todas as fases da deglutição, bem como uma avaliação da anatomia e fisiologia orofaríngea. Esse exame também é indicado para verificar a eficácia das estratégias de reabilitação e fornecer um feedback visual pré e pós-terapia, uma vez que ele pode ser gravado e revisto sempre que preciso.

Os alimentos oferecidos aos pacientes são acrescidos de contraste de bário, para permitir a visualização do trajeto do bolo alimentar, nas consistências e volumes previamente estabelecidos durante a avaliação clínica.

O exame é feito com paciente posicionado de perfil, permitindo a visualização de todas as fases da deglutição e a transição entre elas, e na posição ântero-posterior, que mostra a formação e centralização do bolo alimentar, mobilidade de língua e o escoamento do alimento pela parede posterior da faringe.

Durante o exame, o paciente pode apresentar estases alimentares em qualquer parte do trajeto do parelho deglutofonador, penetração laríngea ou aspiração traqueal. Em qualquer uma dessas situações, durante a própria realização do exame, o fonoaudiólogo pode introduzir e testar a eficiência de manobras posturais e de deglutição. Embora esse exame tenha alta sensibilidade para a determinação das dificuldades de deglutição, ele apresenta limitações na sua indicação, podendo ser contra-indicado em pacientes acamados ou com alterações posturais importantes.

Autores: Busch, Fernandes, Simões, Disfagias Neurogênicas, Capítulo 48, Tratado de Fonoaudiologia 2 .ed.

Avaliação Funcional da Deglutição por Nasofibroscopia




Atualmente, os endoscópios flexíveis utilizados para a realização da nasofibroscopia podem auxiliar no diagnóstico das disfagias através do exame funcional da deglutição. Nesse exame, é possível identificar os aspectos estáticos da orofaringe, hipofaringe e laringe, mobilidade faríngea e laríngea e o estudo da dinâmica da deglutição. Por ser um exame bem tolerado pelo paciente, pode ser realizado ambulatorialmente, e não requer precedimentos simples como o uso de alimentos corados e em diferentes consistências.

Inicialmente é feito um estudo do esfíncter velofaríngeo em repouso e durante as atividades de sopro, deglutição e emissão sustentada para verificar sua mobilidade e eficiência no fechamento. A orofaringe e a hipofaringe devem ser avaliadas observando-se a presença de movimentos anômalos ou assimetrias. As valéculas e os recessos piriformes também devem ser verificados com relação à estase de saliva. Na laringe devem ser vistas as características estruturais em repouso e a mobilidade das pregas vocais, coaptação glótica e elevação laríngea.

Antes de ofertar os alimentos para a avaliação funcional da deglutição, deve-se testar a sensibilidade laríngea, tocando a extremidade do nasofibroscópio na epiglote, nas pregas ariepiglóticas e nas aritenóides, observando o tipo de resposta de proteção das vias aéreas inferiores. As consistências alimentares a serem testadas são predeterminadas durante a avaliação clínica.

Após essa avaliação prévia, o alimento corado é introduzido na boca do paciente, que é orientado a mantê-lo na cavidade oral até a solicitação do avaliador para realizar a deglutição. Nesse momento, antes do paciente deglutir, pode-se observar a presença ou ausência de escape prematuro de alimento, evidenciado por sua descida em direção à hipofaringe e à laringe. Ao solicitar-se que o paciente realize a deglutição, ocorre um blackout na visualização pela contração dos músculos da faringe e a laringe.

após a deglutição, deve ser observado se há estases alimentares em valéculas, parede posterior de faringe, recessos piriformes e transição faringoesofágica. Na presença de escape tardio de alimento vindo da cavidade oral e orofaringe, deve-se observar se ocorre penetração laríngea ou aspiração traqueal.

A avaliação funcional da deglutição pela nasofibroscopia pode ser feita no leito, permite um diagnóstico mais precoce dos distúrbios da deglutição e é essencial nos casos em que o paciente não consegue controlar ou deglutir as próprias secreções. Além disso, esse exame complementa a avaliação clínica da deglutição e orienta a necessidade de realização do videodeglutograma.

Autores: Busch, Fernandes, Simões, Disfagias Neurogênicas, Capítulo 48, Tratado de Fonoaudiologia 2 .ed.